Utopia, vodka, poesia e outros amores


Sobre amores que voltam

Para tentar recuperar a poesia que há muito abandonei, tento respiração boca-a-boca com meu blog querido, em triste parada respiratória. Mas o coração ainda bate, firme e forte.

 

Poesia

chegou sem ser chamada
foi abrindo a geladeira
já deitando na minha rede
sem qualquer satisfação

nem pensar deixei por nada
só pode estar de brincadeira
por onde você esteve
exijo explicação

desdenhosa, respondeu:
"Esta noite você é meu!"

30/07/2007, São Paulo



Escrito por Victor Pimenta às 16h07
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Sobre o Rio de Janeiro

Que desespero, meu Deus! Quero algo novo, mudar minha vida completamente, sair daqui. Não quero mais São Paulo, de jeito nenhum. Quero ir para o Rio de Janeiro, de onde meus planos nunca deveriam ter fugido! Quero meus momentos de volta, quero meus melhores amigos, quero minhas oportunidades devolvidas.
 
Quero, ao menos, coragem para tomar as iniciativas que já deveria ter tomado faz tempo!
 
 
vida
 
já tive respostas
vivi mentiras
e colhi azegos
 
já tive verdades
plantei amores
e chorei vazios
 
já tive doçuras
sorri metades
e morri besteiras
 
de todas as noites
não lamento uma
em que vi estrelas
 
10/10/2006, São Paulo


Escrito por Victor Pimenta às 21h14
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Sobre a razão inversa entre a idade e a alma

Atendendo a pedidos, o último post foi apagado. Assim, mais uma vez, esse blog começa a percorrer o fio da navalha. Se não arranjar, tão logo, uma razão para existir, pode partir de vez.

Só que desta vez a coisa é séria: estou ficando velho, não tenho mais alma suficiente para um outro blog. Utopia, vodka, poesia e outros amores levaria, consigo, uma parte de mim. Talvez a melhor parte.

A vida, assim: a gente cresce, a gente diminui.



Escrito por Victor Pimenta às 00h27
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Sobre o velho assunto de sempre

Aqui, na maior capital do país, se vê de tudo, mas não se vê de nada. Aqui não se vive. Aqui o Sol não nasce, percorre aquele arco que já conhecemos de cor, que nos faz sentir o dia, não, nada disso. Aqui não há Sol. Há, no máximo, o dia e a noite, a luz que chega quando a gente acorda para sair de casa e vai-se indo quando o Jornal Nacional se aproxima.
 
Aqui não há essência...


Escrito por Victor Pimenta às 10h34
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Sobre a 19ª primavera

Já é dia 25, hoje faço anos...
 
Grandes coisa. No fundo, não queria que fosse hoje. Não estou com clima de aniversário...


Escrito por Victor Pimenta às 23h18
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Sobre sentimentos que vão e palavras que ficam

O mar o Sol não seca
 
o tempo passa
amores passam
mas o mar o Sol não seca
 
sob sua face pueril
vejo toda minha infinitude
e esbarro nas barreiras do limite
 
nem o tempo contaria os grãos
as ondas entorpecem cálculos
e o vento lá voa a levá-los
 
sou como vento e grão
gota e mar:
limito-me ao infinito
 
São Paulo, 23/07/03


Escrito por Victor Pimenta às 15h19
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Sobre aquilo que faltou

E os outros amores?
 
Andam escondidos entre tapas, ciúmes e mentiras. Andam sem deixar rastros, mas cansados, e talvez logo deixem de andar.
 
Me disseram (grande Tamires!), hoje, que "Utopia, vodka, poesia e outros amores" era uma das melhores definições para a vida.
 
Cá entre nós, acho que a vida não anda merecendo tantos elogios.


Escrito por Victor Pimenta às 19h01
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Sobre mim

Alguns momentos pensei em desistir ou apagar esse blog, e de fato abandonei ele às traças por algum tempo. Pensei também em começar algo diferente, talvez sobre política, mas não é de política que eu estou precisando agora.
 
Como em outros dias tristes, preciso mesmo é do meu bom e velho Utopia, vodka, poesia e outros amores.
 
Poesia, aliás, faz tempo que não escrevo nem leio. Já as utopias e a vodka continuam me causando delírios e ressacas como sempre, mas penso em parar com isso. Vou diminuir o álcool e começar um estágio, que não deve fazer tanto mal assim. Como costumam dizer por aí, "o trabalho dignifica". É hora de crescer...
 
Mas não queria crescer abrindo mão daquela parte de mim que eu gostava tanto. Aquele eu meio místico, com um encanto só meu e que, quase sempre, só eu mesmo via - e nem ligava tanto pra isso. Vou tentar um poema.
 
 
Matheus
 
as vezes olho adiante
e sinto o azul do céu
o azul do mar
a água que vem e desfaz
o castelinho de areia
fazendo tão docemente
Teteu, meu filho,
chorar
 
então respiro profundo
levanto alto a cabeça
e reaprendo a amar
 
São Paulo, 14/03/06


Escrito por Victor Pimenta às 20h40
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Sobre um grande amigo e um momento que vai ficar no passado

Fábio, estou rezando por você! Você vai sair dessa cara, força! Ninguém no mundo, mais que você, merece estar firme e forte, rindo e sacaneando os outros como você fazia... Você é um cara foda, desses que não tem "mas", é gente fina e pronto.
 
Não desista!


Escrito por Victor Pimenta às 14h21
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Esse blog vai deixar de existir. Ele não me faz mais sentido.

Escrito por Victor Pimenta às 23h26
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Sobre o homem e sua mágoa

Eterna Mágoa

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

Augusto dos Anjos



Escrito por Victor Pimenta às 20h54
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Sobre meus erros imperdoáveis

Todo aquele blá blá blá, mas sou o avesso do que me quero. E estou em declínio.


Escrito por Victor Pimenta às 00h09
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Sobre Roma e outros paraísos

Tem gente que não entende que palhaços são apenas circo, poesia é apenas arte e arte é apenas fantasia. Querem fazer da vida um cálculo de erros, acertos e tentativas, querem fazer do mistério um quebra-cabeças lógico-dedutível.
 
Assim, certas pessoas vão vivendo uma vida tão melhor que minha, com agendas, números e pesquisas, com perspectivas já ovacionadas e caminhos que levam à Roma ou a qualquer outro lugar que lhes convir. Mas nunca compreenderão como, em suas somas de vitórias e derrotas, jamais conseguirão me deixar para trás ou mesmo colher frutos do que plantei. Jamais entenderão o porquê do mais fundamental: meu inexplicável e sincero sorriso.
 
 
sete andares
 
sento em minha janela
fria
fumo meu cigarro
último
canto  minha canção
rouca
e minha vida toda
aquela com tantas
risadas
aquela de tantas
loucuras
aquela nas tantas
quedradas
aquela que tantas
amaram
minha vida de
vendavais
furacões
tempestades
se despede em uma
brisa leve
e sete andares
 
14/11/2005, São Paulo


Escrito por Victor Pimenta às 20h28
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Sobre um endereço, um telefone e um poema

Encontrei esse poema perdido, escrito em uma folha de papel rasgada que no verso trazia um endereço e um telefone. Mal me lembrava de tê-lo escrito.
 
 
encanto
 
as estrelas apenas brilho
os mares apenas água
as noites apenas sombra
sem aquele quê de mistério
de místico
de encanto
 
os morangos apenas vermelhos
o chantily apenas cremoso
o sofá apenas tevê
sem aquele quê de magia
de fetiche
de você
 
08/06/2005, São Paulo


Escrito por Victor Pimenta às 12h38
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Sobre armas e direitos

Não considero esse referendo de domingo um divisor de águas na História do Brasil, a não ser pelo fato de ser um referendo (e seria ótimo se eles se tornassem mais cotidianos).
 
Mas já que estão todos manifestando opinião, eu digo a minha: voto SIM.
 
Porque armas servem para matar, e não faz sentido o Estado permitir a população civil de portá-las.
 
Porque só quem tem condições para adquirir armas legalmente são os ricos, e quem mais sofre com essas armas (depois de serem roubadas) são os pobres.
 
Porque a razão desta violência que vivenciamos está na injustiça social, não na falta de segurança. As classes abastadas "portarem armas" ou "se trancarem em condomínios fechados" cria uma sensação hipócrita de segurança, de problema resolvido, fazendo da miséria material de uns a miséria de alma de outros.
 
Porque essa "sensação de segurança" dos riquinhos é falsa - como diz a letra d´O Rappa "também morre quem atira".
 
Mas parece que as pessoas estão caindo nos apelos do "direito a se proteger", com todo o capital das industrias de armas por trás. É triste. Até porque, se for para analisar os números, têm-se que o desarmamento, num longo prazo, diminui a violência e ponto. 
 
De qualquer forma, o referendo vale por si só. Pro Brasil deixar de ser essa farsa republicana, com os políticos que criamos, só radicalizando a democracia mesmo.


Escrito por Victor Pimenta às 22h04
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